Dom do Temor de Deus

maio 11, 2008

Já aprendemos que os dons do Espírito Santo aperfeiçoam as virtudes. As virtudes abandonadas a si mesma não podem chegar a grandes alturas. A nossa razão, mesmo iluminada pela fé, é ainda imperfeita para perceber toda a realidade espiritual. Só os dons do Espírito Santo elevam o homem às alturas da própria dignidade.

O Dom do “Temor de Deus” aperfeiçoa a virtude da Esperança.

Há várias espécies de temores: o temor mundano, o temor servil a Deus e o temor filial a Deus. Destes, só o último é o Temor de Deus.

1)O temor humano é o medo que se sente com relação a criaturas ou situações mundanas. São temores humanos o medo de pessoas, como a mulher que teme o marido ou o marido que teme a esposa, os filhos que temem o pai ou a mãe, os alunos que temem os professores… São temores às situações mundanas, por exemplo, o medo de andar de elevador, o medo do escuro, o medo de tempestades, etc. Incluem-se ainda nesta classe os medos supersticiosos, como o medo de passar embaixo de uma escada, o medo de ver um gato preto cruzar o caminho, o medo do dia 13… Os temores ou medos mundanos originam-se de traumas. Podem desaparecer pela oração de cura interior ou por tratamentos psicológicos adequados.

2) O temor servil é principalmente o medo de ser castigado por Deus, de ir para o inferno. Esse temor é gerado pela idéia de um Deus que nos vigia constantemente, pronto a nos castigar pelas nossas faltas. E isso nos inquieta, agita, deprime. O temor servil pode afastar-nos do pecado, mas é um temor imperfeito, porque não se baseia no amor de Deus.

3) O temor de Deus é filial. É o temor de nos afastar do Pai que nos criou e que nos ama, de ofender a Deus que, por amor, sempre nos perdoa. O filho que ama o pai não quer ficar longe dele nem fazer algo que o possa magoar. É um temor nobre que brota do amor. Um temor filial, perfeito e amoroso.

O temor de Deus é um dom do Espírito Santo que nos inclina ao respeito filial a Deus e nos afasta do pecado. Este compreende três atitudes principais:

1 – O vivo sentimento da grandeza de Deus e extremo horror a tudo o que ofenda sua infinita majestade;

2 – Uma viva contrição das menores faltas cometidas, por haverem ofendido a um Deus infinito e infinitamente bom, do que nasce um desejo ardente e sincero de as reparar;

3 – Um cuidado constante para evitar ocasiões de pecado.

 Retirado: http://www.cancaonova.com/portal/canais/especial/pentecostes/dons_s_07.php

Anúncios

Dom do Entendimento

maio 11, 2008

O dom do entendimento, também chamado “dom da inteligência” ou “dom do discernimento” (diferente do discernimento dos espíritos), nos dá uma compreensão profunda das verdades reveladas, sem contudo nos revelar o seu mistério. Só teremos plena compreensão do mistério quando estivermos face a face com Deus

Faz-nos ver o que é divino sob a aparência do que é material. Por exemplo, crer em Jesus vivo e real nas espécies eucarísticas, o pão e o vinho. É bem conhecido o milagre de Lanciano ocorrido no século VIII. Um sacerdote, ao consagrar o pão e o vinho, teve uma dúvida de fé: será que eles realmente se transubstanciariam no corpo e no sangue de Cristo? Ocorreu, então, um milagre. O pão transformou-se em carne e o vinho em sangue. Até os nossos dias podem-se ver, em Lanciano, a carne e as gotas de sangue, sem deterioração, o que é uma confirmação de que Jesus está vivo e ressuscitado! Pelo dom do entendimento constata-se a graça de Deus nos sacramentos.

Torna-se claro que no visível oculta-se o invisível. No carpinteiro de Nazaré, reconhecer Deus Salvador. Esse dom nos faz ver nos irmãos a pessoa de Jesus Cristo. Paulo se chamava apóstolo abortivo, porque se considerava o menor dos apóstolos e nem se achava digno de ser chamado apóstolo (I Cor 15,8-9). São Francisco queria que os irmãos o pisoteassem. Santa Teresa se achava extremamente pecadora.

Finalmente, através desse dom, passamos a nos conhecer profundamente e a reconhecer a profundidade de nossa miséria.

Retirado: http://www.cancaonova.com/portal/canais/especial/pentecostes/dons_s_06.php


Dom do Conselho

maio 11, 2008

O dom do conselho, também chamado “dom da prudência”, nos faz saber pronta e seguramente o que convém dizer e o que convém fazer nas diversas circunstâncias da vida. É um dom de santificação que nos faz viver sob a orientação do Espírito Santo.

O dom do conselho nos orienta instantaneamente de forma perfeita. Por ele, o Espírito Santo nos fala ao coração e nos faz compreender o que devemos fazer. Agimos sem timidez ou incerteza. Pelo dom do conselho, falamos ou agimos com toda confiança, com a audácia dos santos.

Jesus nos fala o que convém dizer, guiados pelo dom do conselho: “Quando fordes presos, não vos preocupeis nem pela maneira com que haveis de falar, nem pelo que haveis de dizer: naquele momento ser-vos-á inspirado o que haveis de dizer. Porque não sereis vós que falareis, mas é o Espírito do vosso Pai que falará em vós.” (Mat 10,19-20).

Há diversos graus de abertura ao dom do conselho:

No primeiro grau, consegue-se fazer com rapidez e segurança tudo o que é da vontade de Deus nas coisas necessárias para a vida espiritual.

No segundo grau, o dom do conselho nos conduz também nas coisas que não são obrigatórias, mas que são convenientes e úteis para nos levarem a Deus.

No terceiro grau, o dom do conselho nos faz caminhar com segurança, sem tropeços ou timidez, pelos caminhos do Senhor.

Retirado: http://www.cancaonova.com/portal/canais/especial/pentecostes/dons_s_05.php


Dom do Conhecimento

maio 11, 2008

Os dons do Espírito Santo nos conduz hoje a falar de outro dom, o dom do Conhecimento pelo qual nos é concedido conhecer o verdadeiro valor das criaturas em relação ao seu Criador.

Nós sabemos que o homem moderno, justamente por causa do desenvolvimento das ciências, é exposto particularmente à tentação em dar uma interpretação naturalista ao mundo. Diante da multiplicidade e da grandeza das coisas e de suas complexidade, ele corre o risco do absolutismo e quase a divinização, a ponto de os tornarem propósitos supremos de suas vidas. Isto acontece especialmente quando se trata de riquezas, prazer e de poder, os quais realmente podem ser obtidas das coisas materiais. Estes são os principais ídolos diante dos quais o mundo muito freqüentemente se prostra.

A fim de resistir a tais sutis tentações e curar as conseqüências perniciosas para as quais elas podem nos conduzir, o Espírito Santo socorre as pessoas com o dom do Conhecimento. É este o dom que os ajudam a estimar as coisas corretamente na essencial confiança no Criador. Graças a isto, S. Tomas escreve: que o homem não estime as criaturas mais que elas merecem e não coloque nelas o propósito de sua vida, mas em Deus (ct. ” Summa Theol “. II-II, q. 9, um. 4).

Assim ele descobre o significado teológico da criação vendo as coisas como verdadeiras e real, embora limitadas, manifestações da Verdade, Beleza, e do infinito Amor que é Deus, e conseqüentemente ele se sente impelido em traduzir esta descoberta em louvor, canção, oração, e ação de graças. Isto é o que o Livro de Salmos sugere tão freqüentemente e de tantas maneiras. Quem não recorda de alguns exemplos disto que nos eleva a alma a Deus? ” Os céus estão contando a glória de Deus; e o firmamento proclama sua obra” (Salmo 18 [19]:2; cf. Ps 8:2). ” Louve o Senhor dos céus, o louve nas alturas…. Louve o, sol e lua, louve as estrelas (Salmo 148:1,3)

Iluminado pelo dom do Conhecimento, o homem descobre ao mesmo tempo a distância infinita que separa as coisas do Criador, sua intrínseca limitação, o perigo que elas podem apresentar, quando, pelo pecado, ele faz uso impróprio delas. É uma descoberta que o conduz a perceber com remorso a sua miséria e o impele voltar com maior impulso e confiança a ele que só pode satisfazer a necessidade do infinito que completamente o assalta.

Esta foi a experiência dos santos; foi também, nós podemos dizer, que a experiência dos cinco Bem Aventurados de quem tive a alegria de elevá-los a honras dos altares hoje. Porém, de um modo muito especial esta foi a experiência de Nossa Senhora que, pelo exemplo de sua jornada pessoal de fé nos ensina a viajar ” entre os acontecimentos do mundo tendo nossos corações fixos onde a verdadeira alegria reside ” (Oração dos Vinte-primeiros domingo em Tempo Comum).

*tradução feita pela equipe do www.cancaonova.com

Retirado: http://www.cancaonova.com/portal/canais/especial/pentecostes/dons_s_04.php


Dom da Sabedoria

maio 11, 2008

Quero abordar agora a necessidade de sabedoria no uso dos dons, porque tem lugar para tudo no nosso coração: cura física, cura interior, libertação… tem lugar para tudo. De nossa parte, temos de ter a sabedoria de ir colhendo uma coisa depois da outra.

Quando o Senhor nos dá uma palavra de profecia, de ciência, de discernimento ou qualquer revelação, temos de procurar discernir se aquilo que recebemos deve ser dito, quando deve ser dito e como deve ser dito. Porque alguns são afogueados. Receberam um dom, uma palavra de profecia, e a pessoa é tão apressada que já quer dizer. Mas você perguntou ao Senhor se essa palavra de profecia deve ser comunicada? Muitas vezes, trata-se de uma palavra para ser comunicada aos líderes, aos coordenadores, aos encarregados e não ao grupo.

Imaginem que eu chegue a uma cidade dizendo:

_Preparem-se, porque dentro em breve um terrível terremoto acontecerá aqui, as casas haverão de desabar; preparem-se, preparem o meu povo…

Vejam que confusão. E o povo com medo. Como se preparar?

Diante de uma palavra dessas, o que eu deveria fazer? Primeiro, Orar ao Senhor para saber como e quando o Senhor quer que eu diga, e para quem o Senhor quer que eu diga. Depois de eu ter certeza de ter recebido uma palavra de profecia, tenho de perguntar ao Senhor e, de acordo com a resposta dele, ser dócil, mesmo que isso signifique gestar nove meses essa palavra de profecia dentro de mim. Não quero ser um farmacêutico apressado, não quero matar com os remédios do Senhor.

Todos nós temos de ter essa responsabilidade. Quando o Senhor me disser: “Você vai falar a tais pessoas, desse jeito e nessa hora”, aí eu falo. Falo, mesmo que falar me arrebente.

Para que pedir ao Senhor sabedoria no uso dos dons? Para ministrar o remédio certo a nosso povo, para que aquilo que o Senhor quer nos dar não se torne veneno.

O Senhor quer que nós vivamos a sabedoria. Vive-se a sabedoria com humildade, com paciência, dando tempo ao tempo, perguntando ao Senhor como, quando e a quem manifestar os seus dons.

Não adianta fazer as coisas que nós achamos boas: “Eu acho…” “Ah, eu pensava…”. O povo diz que de pensar morreu um burro. Não adianta esse “eu pensava, eu achava”. A sabedoria se faz a partir daquilo que o Senhor nos manda fazer. Quando fazemos as coisas segundo nosso entendimento, perdemos a unção: “Porque eu acho, porque eu penso, porque seria melhor, porque o povo me pressionou”.

Mais do que nunca, o Senhor, o Senhor quer nos ensinar a sabedoria. É como se fossemos ovelhas. A ovelha é um animal que não tem sabedoria nenhuma. Os cães tem faro, os gatos são espertíssimos, as aves conhecem as coisas… mas de todos os animais, o mais desprovido de inteligência, sem tino, sem direção, é a ovelha. E a nós, que somos ovelhas, o Senhor quer dar sabedoria. Às vezes pensamos que a sabedoria do Senhor é assim: ele nos dá sabedoria, e ficamos sábios, sabemos tudo. Já sabemos como nos conduzir. O que fazer, o que não fazer, que ordens dar, como educar os filhos, como educar os filhos, como trabalhar, como trabalhar na paróquia, como renovar as coisas na paróquia, como promover a Renovação, como fazer palestras. A pessoa pensa que agora sabe de tudo: “Eu recebi sabedoria…”, e fala até grosso, “porque agora eu tenho sabedoria”. E não é assim.

A sabedoria do Senhor é dada a quem for manso como as ovelhas. A ovelha precisa continuamente da direção do pastor: “Agora é para cá, agora é para lá, agora é mais pra lá, e agora é para cá”.

Retirado: http://www.cancaonova.com/portal/canais/especial/pentecostes/dons_s_03.php


Dom da Piedade

maio 11, 2008

O dom da Piedade produz em nós uma afeição filial para com Deus, adorando-o com amor sobrenatural e santo ardor, e uma terna afeição para com as pessoas e coisas divinas.

Aprimora em nós a virtude da justiça, sob todas as suas formas, a da religião, a da piedade e a da gratidão. Pela virtude da justiça, damos ao outro (a Deus ou ao próximo) aquilo que lhe pertence. Pelo dom da piedade, damos ao outro tudo o que podemos dar, sem medidas.

Deus nos trata com piedade. Dá-nos o que necessitamos, muito mais do que aquilo que merecemos.

O dom da piedade é auxiliado por duas virtudes teologais: a virtude da esperança e a virtude da caridade. Pela virtude da esperança participamos da execução das promessas de Deus e, pela virtude da caridade, amamos a Deus e ao próximo.

Nosso crescimento no dom da piedade efetua-se em quatro estágios:

1) Coloca em nossa alma uma ternura filial para com Deus nosso Pai: Deus é, acima de tudo, nosso Pai.

2) A piedade nos coloca na alma um filial abandono nos braços do Pai celeste.

3) Faz-nos ver no próximo um filho de Deus e irmão de Jesus Cristo.

4) O dom da Piedade nos leva a devotar amor sincero a todas as pessoas e coisas que estão de algum modo relacionadas com a paternidade de Deus e a fraternidade cristãs.

Retirado: http://www.cancaonova.com/portal/canais/especial/pentecostes/dons_s_02.php


Dom da Fortaleza

maio 11, 2008

O dom da fortaleza, também chamado “dom da coragem”, imprime em nossa alma um impulso que nos permite suportar as maiores dificuldades e tribulações, e realizar, se necessário, atos sobrenaturalmente heróicos.

Quando falamos em virtudes heróicas, ninguém pense que só existe heroísmo quando enfrentamos grandes causas. Você faz grandes heroísmos lá no interior da sua casa, no dia-a-dia de sua vida. Veja bem que heroísmo imenso é o de uma mãe que suporta o vício do álcool do marido ou do filho! Às vezes por 10, 20, 40 anos enfrenta aquela dor, aquele sofrimento, por amor a Deus, por doação e caridade. Essa mãe tem o Dom da Fortaleza. O Dom da Fortaleza não é só para os mártires, os grandes confessores da fé. É para cada um de nós.

Hoje vemos uma multidão caindo nas tentações. Pode estar faltando o Dom da Fortaleza em muita gente. Saber não cair na tentação, já é um sinal da força desse Dom.

Santa Teresinha nos fala do “heroísmo do pequeno”. A fidelidade às pequenas inspirações que Deus nos faz todo dia e toda hora é fruto do Dom da Fortaleza. Nós deixamos passar ótimas oportunidades quando pequenas cruzes, pequenos sofrimentos vão passando pela nossa vida e nós não os aproveitamos para uma resposta fiel a Deus. Vem um aborrecimento, uma pessoa nos causa feridas porque falou qualquer coisa contra nós. O que fazemos? Há duas respostas: Revidamos com palavras amargas, com evidente menosprezo, com inimizades, etc., ou fazemos de conta que nem ficamos sabendo, não nos importamos com aquilo, etc.. Como funcionou o Dom da Fortaleza? É claro, naquela hora que suportamos a ofensa. O heroísmo está aí. Aprendemos agora um dos caminhos que nos leva a santidade.

São poucas as pessoas que fazem por Deus e pelo próximo aquilo que poderiam fazer mais. Porque, não temos coragem de nos empenharmos em grandes obras. Imaginem o bem que poderíamos fazer se ainda não fôssemos tão comodistas.

Paulo afirma: “Tudo posso naquele que me fortalece”. E nos diz mais: pode suportar as maiores dificuldades e tribulações e praticar, se necessário, atos heróicos. Não pelas suas qualidades pessoais, mas pelo dom da fortaleza que Deus lhe concedeu”. Carta aos coríntios, descrevendo as tribulações pelas quais passou por amor ao Senhor e à Igreja:

“Cinco vezes recebi dos judeus os quarenta açoites menos um. Três vezes fui flagelado com varas. Uma vez apedrejado. Três vezes naufraguei, uma noite e um dia passei no abismo. Viagens sem conta, exposto a perigos nos rios, perigos de salteadores, perigos da parte de meus concidadãos, perigos da parte dos pagãos, perigos na cidade, perigo no deserto, perigos no mar, perigos entre falsos irmãos! Trabalhos e fadigas, repetidas vigílias com fome e sede, freqüentes jejuns, frio e nudez! Além de outras coisas, a minha preocupação quotidiana, a solicitude por todas as Igrejas!” (II. Cor 11,24-28) .

Ao dom da Fortaleza se opõe a timidez, que é o temor desordenado, e também aquele comodismo que impede de caminhar, de querer dar grandes passos. Estacionamos numa espiritualidade medíocre, temos medo de tudo, de prejudicar a amizade, de descontentar alguém e vamos comodamente parando no caminho da perfeição.

Retirado: http://www.cancaonova.com/portal/canais/especial/pentecostes/dons_s_01.php